segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Canções de ninar..

'' Eu, uma brasileira morando nos Estados Unidos da América, para ajudar noorçamento, estou fazendo "bico" de babá . Ao cuidar de uma das meninas uma vez cantei "Boi da cara preta" para ela,antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela semprepede para eu cantar ao colocá-la para dormir. Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção quecantávamos (em Inglês) dizia algo como: Boa noite, linda menina, durma bem.Sonhos doces venham para você, Sonhos doces por toda noite"... (Que lindo,não é mesmo!?)Eis que um dia Mary Helen me pergunta o que as palavras, da música "Boida cara preta" queriam dizer em Inglês:Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo decareta...(???) Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "boi dacara preta" era uma ameaça, era algo como "dorme logo, caralho, senão o boivemte comer"? Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormissecom uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina?Claro que menti para ela, mas comecei a pensar em outras canções infantis,pois não me sentiria bem ameaçando aquela menina com um temível boi todanoite... Que tal! "nana neném que a cuca vai pegar..."? Caramba!... Outra ameaça!Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclorebrasileiro que fosse positiva me deparei com a seguinte situação: Obrasileiro tem é trauma de infância!!!! Trauma causado pelas cançõesinfantis.!!!!Exemplificarei minha tese: Atirei o pau no gato-to-to Mas o gato-to-tonão morreu-reu-reu Dona Chica-ca-ca admirou-se-se Do berrô, do berrô que ogato deu: Miaaau! Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é umademonstraçãoclara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e incitação à violênciae a crueldade. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? Epara acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob aalcunha de "D.Chica". Uma vergonha! Eu sou pobre, pobre, pobre, De marré,marré, marré. Eu sou pobre, pobre, pobre, De marré de si. Eu sou rica, rica,rica, De marré, marré, marré.Eu sou rica, rica, rica, De marré de si. Colocar a realidade tãovergonhosa da desigualdade social em versos tão doces!! É impossível nãolembrar do amiguinho rico da infância com um carrinho fabuloso, de controleremoto, e você brincando com seu carrinho deplástico.. Fala sério!!! Vem cá, Bitu! vem cá, Bitu! Vem cá, meu bem, vemcá! Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá! Tenho medo de apanhar... Quem foi oadulto sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre Bitú.....Marcha soldado, cabeça de papel! Quem não marchar direito, Vai preso proquartel. De novo, ameaça! Ou obedece ou você vai se fu..... Não é à toa queo brasileiro admite tudo de cabeça baixa....A canoa virou, Quem deixou ela virar, Foi por causa da (nome de pessoa)Que não soube remar. Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoiomútuo, as criançasbrasileiras são ensinadas a dedurar e a condenar um semelhante. Bate nele,mãe! Samba-lelê tá doente, Tá com a cabeça quebrada. Samba-lelê precisava Éde umas boas palmadas. A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se coma saúde debilitada enecessita de cuidados médicos. Mas, ao invés de compaixão e apoio, a músicadiz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-lelê deve ser irmão doBitú......!! O anel que tu me deste Era vidro e se quebrou.O amor que tu me tinhas Era pouco e se acabou... Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essapassagem anos a fio?? O cravo brigou com a rosaDebaixo de uma sacada; O cravo saiu ferido E a rosa despedaçada. O cravoficou doente, A rosa foi visitar; O cravo teve um desmaio, A rosa pôs-se achorar. Desgraça, desgraça, desgraça! E ainda incita a violência conjugal (releiaa primeira estrofe). Precisamos lutar contra essas lembranças, meusamigos!Nossos filhos merecem um futuro melhor! Ah!!! você esqueceu desta: Passa,passa três vezes..a última que ficar tem mulher e filhos que não pode sustentar...(aí já começa o desemprego)''. - Giséle C. de Miranda

Nenhum comentário: